sábado, 12 de outubro de 2024

loucura normal

Na calçada da vida, uma multidão a passar,  
Rostos rotulados, todos prontos a julgar.  
Com sorrisos ensaiados e olhares vazios,  
É fácil se perder entre tantos desafios.  

A sobriedade pesa como um manto de chumbo,  
Enquanto as vozes da razão se tornam um zumbido.  
Sou o “louco” que ri, que observa em silêncio,  
No meio da normalidade, um profundo desvio de senso.  

Eles dançam em círculos, presos em suas prisões,  
Cegos para a loucura que habita os corações.  
Falam de felicidade como quem vende ilusões,  
Mas por trás das máscaras, só há frustrações.  

O "normal" é um rótulo que pesa e esmaga,  
E eu, em minha sanidade, me sinto uma saga.  
Desafiando as normas com um sorriso aberto,  
Na loucura da vida, descubro o afeto.  

A multidão caminha como um rio sem fim,  
Mas na correnteza do ser, eu busco o meu sim.  
A loucura é um convite a viver sem amarras,  
E na sobriedade encontro as minhas raras caras.  

Caminhar entre eles é um ato de coragem,  
Pois quem é verdadeiramente livre não tem passagem.  
Sigo firme na dança entre o real e o sonhar,  
Enquanto os "normais" se perdem em seu próprio andar.  

E assim celebro a vida com toda sua cor,  
Na loucura de ser eu mesmo: um verdadeiro amor.  
Pois na sobriedade da mente e no calor do coração,  
Encontro a beleza que escapa da multidão.  

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