Ah, viver só, que delícia, que prazer!
Um copo de solidão e um prato de não fazer.
Acordo com o sol, mas não com a multidão,
Meu único público é o eco da minha razão.
Enquanto o mundo gira em frenesi e agitação,
Eu me perco na arte de não ter direção.
Eles dançam em festas, eu danço na sala vazia,
E a música é minha, uma bela sinfonia.
“Vem pra cá!”, gritam todos, “A vida é uma festa!”
Mas eu sou o convidado que não aparece na orquestra.
Meus amigos são livros, meu amor é um sofá,
E a companhia perfeita? Um bom café pra tomar.
E quando estou na multidão, ai, que confusão!
Caminhando sem rumo, sem saber a razão.
Olho pra caras estranhas, sorrisos ensaiados,
Enquanto me pergunto: “Quem são esses apressados?”
Eles parecem felizes, mas será que sabem?
Se a felicidade é um jogo ou apenas um alarde?
Com seus celulares na mão e os olhos no chão,
Perdem a beleza do agora e da conexão.
Eu sigo meu caminho entre risadas e gritos,
Mas prefiro a paz dos meus momentos benditos.
E quando o mundo se agita como um grande furacão,
Eu me aninho no silêncio, escuto meu coração.
Então aqui estou eu, entre sorrisos e solidão,
Um espectador cômico dessa grande comédia em ação.
Enquanto eles se perdem em busca de um ideal,
Eu brinco com a vida num tom surreal.
Porque no fim das contas, quem precisa de multidão?
Quando se tem uma mente que cria sua própria canção?
Vou vivendo assim — meio só e meio em festa —
Na dança da vida, sou eu quem orquestra!
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