terça-feira, 29 de outubro de 2024

viver só na multidão


Ah, viver só, que delícia, que prazer!  
Um copo de solidão e um prato de não fazer.  
Acordo com o sol, mas não com a multidão,  
Meu único público é o eco da minha razão.

Enquanto o mundo gira em frenesi e agitação,  
Eu me perco na arte de não ter direção.  
Eles dançam em festas, eu danço na sala vazia,  
E a música é minha, uma bela sinfonia.

“Vem pra cá!”, gritam todos, “A vida é uma festa!”  
Mas eu sou o convidado que não aparece na orquestra.  
Meus amigos são livros, meu amor é um sofá,  
E a companhia perfeita? Um bom café pra tomar.

E quando estou na multidão, ai, que confusão!  
Caminhando sem rumo, sem saber a razão.  
Olho pra caras estranhas, sorrisos ensaiados,  
Enquanto me pergunto: “Quem são esses apressados?”

Eles parecem felizes, mas será que sabem?  
Se a felicidade é um jogo ou apenas um alarde?  
Com seus celulares na mão e os olhos no chão,  
Perdem a beleza do agora e da conexão.

Eu sigo meu caminho entre risadas e gritos,  
Mas prefiro a paz dos meus momentos benditos.  
E quando o mundo se agita como um grande furacão,  
Eu me aninho no silêncio, escuto meu coração.

Então aqui estou eu, entre sorrisos e solidão,  
Um espectador cômico dessa grande comédia em ação.  
Enquanto eles se perdem em busca de um ideal,  
Eu brinco com a vida num tom surreal.

Porque no fim das contas, quem precisa de multidão?  
Quando se tem uma mente que cria sua própria canção?  
Vou vivendo assim — meio só e meio em festa —  
Na dança da vida, sou eu quem orquestra!

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