sábado, 19 de outubro de 2024

o deslocado


Entre risos e sorrisos, me perco na cena,  
Um palhaço em festa, uma sombra pequena.  
Roupas elegantes, olhares que brilham,  
Mas dentro de mim, as dúvidas se aninham.

Conversas superficiais dançam no ar,  
Palavras vazias que não sabem amar.  
Sinto o peso do status que me traz aqui,  
Mas meu coração grita: “Isso não é pra mim!”

As risadas ecoam como ecos distantes,  
E eu sou um estranho em meio a semblantes.  
A música toca, mas não toca a alma,  
E mesmo cercado, me falta a calma.

Busco um canto onde a verdade se abrace,  
Onde o ser é mais que um rótulo ou um laço.  
Mas sigo na dança do que se espera,  
Um personagem triste em uma peça de espera.

Os copos se erguem em brindes vazios,  
E eu sou um espectro entre rostos frios.  
O glamour me envolve, mas não me seduz,  
E na busca por aceitação, perco minha luz.

Ah, como é estranho estar aqui sem querer,  
Uma marionete a dançar pra não sofrer.  
Mas no fundo da noite, ao sair desse lugar,  
Levo comigo a certeza de que vou me encontrar.

Pois embora o ambiente não faça sentido,  
Meu verdadeiro lar é onde eu me sinto querido.  
E ao deixar essa festa de máscaras e afins,  
Retorno ao meu mundo onde sou eu nos meus fins.

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