quinta-feira, 31 de outubro de 2024

não escolhi ser assim


No hospício da cidade, onde a vida é um enredo,  
Mora um esquizofrênico, que vive em um tédio.  
Amarrado no leito, com um sorriso amarelo,  
Ele observa o mundo, como um artista no seu estúdio paralelo.

“Ah, os remédios!”, ele exclama com ironia e dor,  
“São como doces amargos que tiram meu vigor.  
Contido e estudado, sou cobaia da ciência,  
Enquanto as vozes sussurram com toda a sua eloquência.”

Os médicos vêm e vão, com olhares curiosos,  
Anotam cada palavra como se fossem preciosos.  
“Olhem! Ele fala sozinho!”, dizem com empolgação,  
Mas ninguém percebe a batalha dentro do coração.

Traumas se acumulam como cartas em uma mesa,  
E o esquizofrênico, cansado, busca uma certeza.  
“Se eu pudesse dissipar essa energia acumulada!  
Mas aqui dentro sou só um número na jornada.”

Os outros pacientes sentem medo da sua presença,  
Acham que ele é o monstro que vive na ausência.  
Mas ele só queria um pouco de amizade e compreensão,  
Não ser visto como um vilão em sua própria prisão.

E enquanto as vozes esperam pacientemente a hora de atacar,  
Ele tenta manter a calma, embora queira gritar.  
“Vocês acham que eu sou louco? Pois eu sou só humano!  
Lutando contra demônios que não têm plano.”

A medicação ajuda a manter o surto à distância,  
Mas às vezes sente falta de uma boa dança.  
“Se eu pudesse dançar livre como o vento lá fora…  
Mas aqui sou só uma sombra que a vida devora.”

E assim passa os dias, entre risos e desespero,  
Um artista em seu palco feito de dor e de medo.  
A sátira da vida é dura e cheia de ironia:  
Enquanto uns estudam sua mente, ele busca a alegria.

Então fica o recado nesta comédia amarga:  
A saúde mental é uma luta que nunca se apaga.  
Com risos e lágrimas seguimos na jornada,  
Esperando um dia encontrar a liberdade almejada.

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